Maria Augusta Assirati, a Guta, é presença marcante em minha vida. Seus versos já foram postados por aqui. Guta faz prosa cheia de doçura em reposta ao meu "Não sei fazer poemas". E peço permissão por licença poética para titular suas rimas. Lhes apresento:
Nunca aprendi rimar
"E eu que nunca aprendi rimar
aquele mar de pensamentos,
que onda riam, onda calavam
a areia fina de meu peito,
inventei de amar a poesia
Fiz do verso a alegoria de meus medos
da palavra, a fantasia dos dias
em que eu, nua, vestia preto
Deitava assim uns traços vãos
na imensidão de um papel qualquer
resignado e reto
Das linhas curvas brancas de minhas febres
escapavam vozes baixas, tímidas
que a tinta entre os dedos das mãos desnudava lentamente
vivenciando aquelas frágeis frações,
Eram mais que poesia
Eram uns pedaços da liberdade descuidada
despudorada
Eram esboços de uma beleza invisível,
Inseparável do espaço oculto de meus prazeres e dores
E eu que nunca soube rimar
conheci minha íntima poesia
E aprendi a chorar palavra
a sorrir poema
sem rima
sem graça
sem vergonha"
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Não sei fazer poemas
Minha agonia é delirante
Quase redundante de tão abundante
Sai rima de onde não espero, não quero
Escrevo de forma a jogar palavras no papel
E tenho contigo uma Lua de Fel
Veja que a rima: me persegue!
Como se simples fosse o que sinto
Complexo é como me comporto
E tensa, há dias que não me suporto
Irritante, a rima se impõe
Louca, louca, sou louca por ti
Inspiro e transpiro nosso amor
Mas hoje, paradoxalmente, minha ira ecoa
a falta e a presença de humor
Sou perseguida por ela: a rima
Desisto...
Não sei fazer poemas
Sei chorar pingado, versos apagados
Num coração despudorado,
Preenchendo o vazio do papel branco pautado...
Quase redundante de tão abundante
Sai rima de onde não espero, não quero
Escrevo de forma a jogar palavras no papel
E tenho contigo uma Lua de Fel
Veja que a rima: me persegue!
Como se simples fosse o que sinto
Complexo é como me comporto
E tensa, há dias que não me suporto
Irritante, a rima se impõe
Louca, louca, sou louca por ti
Inspiro e transpiro nosso amor
Mas hoje, paradoxalmente, minha ira ecoa
a falta e a presença de humor
Sou perseguida por ela: a rima
Desisto...
Não sei fazer poemas
Sei chorar pingado, versos apagados
Num coração despudorado,
Preenchendo o vazio do papel branco pautado...
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Do cinza ao azul
A cor é poesia
A saudade, melancolia
O silêncio, sabedoria
Nosso amor, só sintonia
Veja, a cor que me invade
Varia do cinza ao azul
Há dias de tempestade,
onde só a tristeza persiste
Há dias ensolarados,
onde a alegria me assiste
Há dias de ventos fortes,
onde aponto meu dedo em riste
Há dias de calmaria,
e o que me dói já não resiste
Te cerca de cores fortes,
vivas e brilhantes
E vive tua saudade,
certa de que é só por instantes!
A saudade, melancolia
O silêncio, sabedoria
Nosso amor, só sintonia
Veja, a cor que me invade
Varia do cinza ao azul
Há dias de tempestade,
onde só a tristeza persiste
Há dias ensolarados,
onde a alegria me assiste
Há dias de ventos fortes,
onde aponto meu dedo em riste
Há dias de calmaria,
e o que me dói já não resiste
Te cerca de cores fortes,
vivas e brilhantes
E vive tua saudade,
certa de que é só por instantes!
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
A orvalhar
Andei pensando
Rodar o mundo
Comprar passagens
Fazer milhagens
Sair sem rumo
Não ler notícias
Não ver TV
Nem te escrever
Não é que eu queira
Te abandonar
É que no Cerrado
Em dias secos
Me falta ar
Mas paro e penso
É muito trabalho
Fazer as malas
Seguir viagem
Não te levar
Façamos assim:
Enlouquecemos
Pegamos a estrada
De madrugada
Sem avisar
Dormindo ao relento
Juntemos nossos corpos
Em movimento intenso
Cansados e suados
Quase a orvalhar
Por fim:
Te abraço fortemente
Só penso em olhar pra frente
E desejo sinceramente
Teu beijo pra lá de quente
Sempre a me acompanhar
Rodar o mundo
Comprar passagens
Fazer milhagens
Sair sem rumo
Não ler notícias
Não ver TV
Nem te escrever
Não é que eu queira
Te abandonar
É que no Cerrado
Em dias secos
Me falta ar
Mas paro e penso
É muito trabalho
Fazer as malas
Seguir viagem
Não te levar
Façamos assim:
Enlouquecemos
Pegamos a estrada
De madrugada
Sem avisar
Dormindo ao relento
Juntemos nossos corpos
Em movimento intenso
Cansados e suados
Quase a orvalhar
Por fim:
Te abraço fortemente
Só penso em olhar pra frente
E desejo sinceramente
Teu beijo pra lá de quente
Sempre a me acompanhar
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Despoetizar
Era do outro lado da rua
Depois da faixa amarela
Onde me sentia segura
E não tinha espaço pra pequenas surpresas
É deste lado da rua
De onde vejo o sol se esconder
Onde não há segurança possível
E tudo pode me surpreender
Amanheço e anoiteço
Esperando me acostumar
A não sentir mais saudades
Do que deixei depois da faixa amarela
Até que as lembranças possam amarelar
Dizem que é longo meu aprendizado
E os dias passam arrastado
Os versos saem acanhados
É como despoetizar...
Depois da faixa amarela
Onde me sentia segura
E não tinha espaço pra pequenas surpresas
É deste lado da rua
De onde vejo o sol se esconder
Onde não há segurança possível
E tudo pode me surpreender
Amanheço e anoiteço
Esperando me acostumar
A não sentir mais saudades
Do que deixei depois da faixa amarela
Até que as lembranças possam amarelar
Dizem que é longo meu aprendizado
E os dias passam arrastado
Os versos saem acanhados
É como despoetizar...
quarta-feira, 11 de maio de 2011
Opala 93
Marcos Toscano é figura que nos empresta alegria e nos deixa convictos da necessidade de sermos autênticos. Sua brasilidade é contagiante! Posto aqui um pouco da sua prosa: descrição exata de uma natureza simples, verdadeira e por vezes cínica.
Com vocês: Opala 93!
"Ei, moça bonita,
Andei pensando em ir-me embora
A fuligem que cai com asa de chumbo
Tem obscurecido o mais claro dos meus pensamentos
E a espessa fumaça que embaça os céus diurnos
Faz troça dos meus sonhos de verão.
Veja, querida,
Que não tenho qualquer ilusão:
Sei bem do custo de vida
E do problema fundiário
Acompanho bem de perto
O regime tarifário da respiração
Mas a verdade é que mês passado
Num momento de plena compreensão
Juntei todos meus trocados e fui até a loja de usados
na esquina da Amélia com a Rua do Futuro
E enfim, comprei um belo Opala 93
Sei que você vai protestar
E me acusar de perdulário
Já ouço o argumento incontestável
Sobre o tamanho do meu salário
Eu sei, meu bem, eu sei...
Mas é só na aparência que comprei
Um mero Opala 93
Comprei foi um pedaço de vento
Uma vista de verde, um quilômetro de estrada
E quando você estiver preparada
Vai ser nesse Opala que vamos embora daqui".
Com vocês: Opala 93!
"Ei, moça bonita,
Andei pensando em ir-me embora
A fuligem que cai com asa de chumbo
Tem obscurecido o mais claro dos meus pensamentos
E a espessa fumaça que embaça os céus diurnos
Faz troça dos meus sonhos de verão.
Veja, querida,
Que não tenho qualquer ilusão:
Sei bem do custo de vida
E do problema fundiário
Acompanho bem de perto
O regime tarifário da respiração
Mas a verdade é que mês passado
Num momento de plena compreensão
Juntei todos meus trocados e fui até a loja de usados
na esquina da Amélia com a Rua do Futuro
E enfim, comprei um belo Opala 93
Sei que você vai protestar
E me acusar de perdulário
Já ouço o argumento incontestável
Sobre o tamanho do meu salário
Eu sei, meu bem, eu sei...
Mas é só na aparência que comprei
Um mero Opala 93
Comprei foi um pedaço de vento
Uma vista de verde, um quilômetro de estrada
E quando você estiver preparada
Vai ser nesse Opala que vamos embora daqui".
sexta-feira, 29 de abril de 2011
A cidade que é dele
Entre o céu um tanto cinza
E a falta de cores dos seus paredões de edifícios
Entre a ausência de natureza
E um mar de carros apressados
Entre o que me incomoda
E uma promessa de vida futura no lugar que é dele
Escolhi não escolher
Esperando o momento que meus olhos serão mais generosos
Esperando o dia em que irei me apaixonar
E esperando, decidi escapar
Tão diferente de onde vim
Tão diferente do meu conceito de cidade
Tão diferente de mim
Tudo em volta me apavora
Como se seus concretos
Me prensassem, me oprimissem
Como se a fumaça que sai dos seus carros
Me sufocasse, me suprimisse a alegria
Pobre de mim:
Intransigentemente exigente
Descabidamente leviana
Pois há que se encontrar poesia
E pintar a vida com outra paleta de cores
Percebendo que o cinza que veste suas ruas
Pode ser o azul envergonhado
Ou o verde maltratado...
Não é minha essa cidade
Não é meu esse lugar
Mas hei de encontrar poesia
E lhe pintar com uma paleta de cores
No cinza pingar minha prosa
Ver nascer o arco-íris
Ir do branco ao cor-de-rosa...
E a falta de cores dos seus paredões de edifícios
Entre a ausência de natureza
E um mar de carros apressados
Entre o que me incomoda
E uma promessa de vida futura no lugar que é dele
Escolhi não escolher
Esperando o momento que meus olhos serão mais generosos
Esperando o dia em que irei me apaixonar
E esperando, decidi escapar
Tão diferente de onde vim
Tão diferente do meu conceito de cidade
Tão diferente de mim
Tudo em volta me apavora
Como se seus concretos
Me prensassem, me oprimissem
Como se a fumaça que sai dos seus carros
Me sufocasse, me suprimisse a alegria
Pobre de mim:
Intransigentemente exigente
Descabidamente leviana
Pois há que se encontrar poesia
E pintar a vida com outra paleta de cores
Percebendo que o cinza que veste suas ruas
Pode ser o azul envergonhado
Ou o verde maltratado...
Não é minha essa cidade
Não é meu esse lugar
Mas hei de encontrar poesia
E lhe pintar com uma paleta de cores
No cinza pingar minha prosa
Ver nascer o arco-íris
Ir do branco ao cor-de-rosa...
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