quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Prosa Vadia

Me sobra alegria
Na falta de melancolia
Versos desaparecem,
com eles minha poesia
Não que a felicidade
me tome a inspiração
Minhas rimas não florescem
De tão sereno meu coração
Não há métrica na endorfina
Minha paz é rotineira
Nem soneto hoje combina
Escrever é quase um vício
Sem horário, dia certo,
promessa ou disciplina
Fico a despoetizar
Desinspiradamente
Desinfreadamente
uma prosa vadia...

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Espelho

Nossas vidas se entrelaçam e
vivemos um fim de ano imenso de tão intenso...
Por esta razão, trago a vocês mais um poema de Maria Augusta:
Pessoa de fibra que reflete a alma de muitas mulheres brasileiras!


"Não sabia mais que batom vestia a boca que o espelho refletia
e para mim já não sorria
e para mim já não cantava
a mesma voz profeta, poeta.
Meu corpo em preto e branco
emoldurado por cores de flores vividas
tinha mãos desfalecidas,
descumpridas no tempo.
De cima do palco
a platéia vazia me via,
mas eu, saudade, já não.
Já distante do ventre das águas donde vim,
das belezas da mulher que dança,
do riso à toa das descaminhanças.
Se gritava na carne a morte
girava, sorte, uma gente gitana, guerra
de cantes e ouro, de seda e terra.
E no leito do rio escuro de silêncio e dores
tudo andaluz
chega-me à luz um carmim.
Pintei a alma
e chorei enfim".

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Abecedário do Amor

É vida
O que dá nome a ela
Última letra do alfabeto
Primeira no meu coração
Deu vida a quatro filhos
A quem chamo de irmãos

Ieiê, Vovó Zoê ou Mãe
Personagens que ela interpreta
Somos todos espectadores
Do teatro da nossa vida completa

E toma emprestada uma frase alheia
Para definir o que lhe corre na veia:
“Perdão pela loucura
Porque metade dela é amor
e a outra também”

Seus amores, um abecedário inteiro
Bruna, Joana e Camila
As traduções de um amor verdadeiro ...

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Coragem

... e me encanto com o que o futuro me reserva
Sem reservas, sem medo
Como se a tempestade viesse
e eu abrisse meus braços para recebê-la
Neste momento, não sinto ansiedade
Sinto vontade
Uma vontade imensa de fazer o melhor,
de me doar inteira
Sem amarras, sem angústias
Certa de que já tive outros desafios
E consegui sair ilesa
Certa de que posso, mesmo quando me dizem o contrário
Certa de que confio no que sou e no que sei
Certa de que estou forte como pedra
E suave como a água
E adoto o conselho de um grande amigo:
Ser firme nos princípios e doce na abordagem!
E para atender ao meu compromisso:
De firmeza e docilidade,
Repito, como um mantra:
Coragem!

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Tristemente

Sinto sentir o que sinto hoje
Quando a dor é serena
consciente, profunda
Sinto não sentir o que sinto hoje
solidariedade,
admiração e afeto
Sinto a sua falta mais do que ontem
Ontem, quando estive ao seu lado
em transe, completamente entregue a te fazer feliz,
já que a data te era por demais importante
E hoje sinto que não sintas o mesmo
Sinto dolorosamente
Sinto tão sentidamente,
Que nem choro
Tamanha é a dormência
Que me invade tristemente...

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Jardim de Brinquedo

Banho de chuva
Bolo de chocolate
Roda gigante
Medo de trovão

Esconde-esconde
Pega-pega
Andar de Bicicleta
Fugir de assombração

Ganhar uma bronca
Tirar nota vermelha
Sujar a roupa
Apanhar do irmão

Comer brigadeiro
Cantar no chuveiro
Querer ser bombeiro
Brincar de polícia e ladrão

Calçar sapatos da mamãe
Escutar atrás da porta
Fingir dor de barriga
Adorar macarrão

Sou criança
Sou feliz
Minha casa é fantasia
Ser adulto é meu desejo
Meu jardim é de brinquedo
Faço graça, faço versos,
Sou poeta da alegria...

Aconchego

Espero-os chegar
Como quem espera ver o mar
Com ansiedade e alegria
Para que sempre possam voltar
Nossa casa está aberta
Sem trancas nas portas e janelas
Ao entrarem irão sentir
O cheiro do aconchego e
o gosto adocicado do bem querer
Venham sem pressa de ir embora
E compartilhem da nossa boa mesa:
Bebam da nossa bebida
Comam da nossa comida
E dividam conosco
A felicidade de tê-los por perto
No final, bêbados de vinho e cerveja
Façam versos e prosas,
No aguardo da sobremesa...